Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS, 2023), hoje o Brasil é o país com mais diagnósticos de ansiedade no mundo e depressão na América Latina. Entendemos que as causas são multifatoriais, entre elas a realidade de uma sociedade cada vez mais marcada pela rapidez e volume intenso de informações, principalmente por consequência da internet, o que tem impactado fortemente a vida das pessoas.
Pensando na animação vocacional dentro desse contexto, torna-se praticamente inevitável não ter contato com jovens e adultos que são afetados por questões relacionadas a sua saúde mental durante a busca pelo seu propósito de vida, sua vocação.
“O conhecimento de situações problemáticas que possam dificultar a resposta e a fidelidade vocacional requer um discernimento no tempo oportuno. Nesse ponto, a ajuda de profissionais qualificados, para se obter um ‘diagnóstico’ adequado, auxilia na tomada de decisão e, também, na realização de um projeto formativo” (Livro: Aspectos psicológicos do discernimento vocacional: itinerário formativos para o discernimento das vocações | Giuseppe Crea e Vagner Sanagiotto).
Como o animador pode aprofundar-se na história pessoal e vocacional do acompanhado através do auxílio de uma análise psicológica? Entenda as profundezas da temática dando sequência na leitura deste conteúdo!
- Quais as contribuições do processo de avaliação psicológica do candidato?
A participação do psicólogo no processo de discernimento vocacional pode contribuir com a equipe de animação vocacional na compreensão dos elementos constituintes da personalidade do vocacionado, seus aspectos que estão em desenvolvimento, e como esses favorecer e/ou afetam ativamente o sujeito.

Nesse sentido, o objetivo é alcançar conclusões em 4 níveis: educativo, que identifica as raízes das suas dificuldades; preventivo, que age, busca soluções e preserva do círculo vicioso da repetição dos desafios; formativo, personalizando o projeto gradativo que culmina na decisão e resposta à vocação; e integrativo, o qual contribui com a pessoa na consciência das suas características vocacionais, no entendimento claro e confirmação – ou negação – dos sinais, motivações, reações, influências, autenticidade, consistência e maturidade diante do chamado de Deus (Livro: O psicodiagnóstico e a formação à vida religiosa consagrada e presbiteral, de Vagner Sanagiotto).
Implementar esse tipo de dinâmica transformadora, que vai da conscientização das necessidades individuais à construção de novos significados que abrangem a globalidade de toda a existência, resulta em um caminho evolutivo que pode atribuir um significado orientativo para o candidato e para a instituição.
- Em que momento podemos pensar a contribuição do psicólogo no discernimento vocacional?
Segundo o documento Ratio Fundamentalis Institutionis Sacerdotalis (2016), “convém que se realize uma avaliação psicológica, seja no momento da admissão ao Seminário, seja no período sucessivo, quando isso pareça útil aos formadores”. Ou seja, a fim de que o discernimento seja conduzido de maneira preventiva, muitas vezes é ainda no início que essa participação adentra a jornada de animador e animado vocacionalmente.
Isso porque uma formação que considera as fragilidades já nos primeiros estágios – e não em circunstâncias finais, insustentáveis e perigosas, onde é preciso fazer escolhas difíceis e dolorosas – ajuda a pessoa a abrir-se a uma projetualidade diferente, se necessário, sempre com cuidado e acolhido.

A clareza dos critérios é algo fundamental e uma característica bastante atual da relação entre formação vocacional e Psicologia.
Entre os anos 1930 a 1965, quando foi consolidado o uso de instrumentos psicológicos para a seleção de candidatos para a vida religiosa consagrada e presbiteral, o que costumava acontecer era uma certa “higienização” mental, que objetivava evitar candidatos com algum problema; em um segundo momento, sua utilização estava muito orientada para prever o “sucesso vocacional” – a perseverança -, por meio do aprofundamento na personalidade do vocacionado; por fim, tal instrumento conduz, de fato, a um perfil “ideal”, que esclarece as dúvidas e buscar precaver-se de futuras possíveis desilusões e desencontros de expectativas.
De tal modo, o avançar está na identificação com Cristo, com o estilo de vida e carisma por Ele inspirados.
“Precisamente porque é uma realidade espiritual que atravessa a concretude experiencial da existência humana, o discernimento ocorre na presença de Deus, que se revela nos sinais concretos, que podem orientar as escolhas. Por isso que se trata de um caminho dinâmico e não estático, um caminho de vida que permite olhar as ações, as atitudes e pensamentos como oportunidades de crescimento orientadas para a nova vida do Evangelho. Mas, acima de tudo, a experiência vital do discernimento evidencia a ativação de um processo de mudança, porque acende no coração humano o desejo de responder à vontade de Deus” (Livro: Aspectos psicológicos do discernimento vocacional: itinerário formativos para o discernimento das vocações | Giuseppe Crea e Vagner Sanagiotto).
- Compreenda as contribuições da avaliação psicológica na perspectiva vocacional
No Programa de Mentoria Jornada Vocacional estudamos juntos e partilhamos sobre esse e diversos outros temas relacionados à animação vocacional a fim de possibilitar estratégias para despertar e acompanhar novas vocações.
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